"Suponhamos que tenho uma namorada super sexy. Ela quer separar-se de mim. E eu digo: Se te separares de mim eu mato-me. Isto é bullying? Tirar uma fotografia com o telemóvel a uma senhora muito bonita que está de perna cruzada e colocá-la na Internet, isto também é bullying?"
Mais do que certezas, o pedopsiquiatra Mário Jorge Loureiro deixou, ontem, inquietações, ao intervir no seminário "Bullying: Da Mediatização à Discussão, organizado por estudantes finalistas da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) no âmbito de um projecto de investigação.
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«O bullying não é só o que se passa nas escolas», afirmou o Dr. Mário Jorge Loureiro, sustentando que «no trabalho, entre colegas», este fenómeno também acontece e associando-o ao que diz serem «comportamentos disruptivos em termos sociais».
Incrédulo relativamente aos muitos estudos sobre o fenómeno, aconselhou a que se olhasse para eles com espírito crítico, designadamente para a proveniência da informação (é diferente abordar crianças de 5 anos ou adolescentes de 15).
Já a Professora Doutora Sónia Seixas, da Escola Superior de Educação de Santarém, que falou na segunda mesa-redonda, parece ter menos dúvidas: todos os fenómenos de agressão, perseguição ou de insultos verbais (com vista a humilhar, molestar ou ridicularizar) que podem existir numa relação de igualdade não são "bullying".
O "bullying", referiu a professora doutorada em Psicologia Pedagógica, implica uma relação de poder desigual: um agressor mais forte, ou melhor visto socialmente, e uma vítima mais frágil.
Ainda para o pedopsiquiatra do Hospital Pediátrico de Coimbra, a «falta de tempo dos pais», para estarem com os filhos, e «a discórdia e conflito parental crónico» são factores que condicionam os comportamentos desviantes dos mais novos.
«A sociedade obriga-nos, hoje, a ter filhos delinquentes», disse, mesmo, o Dr. Mário Jorge, ao questionar que nível de conforto emocional é que um pai dá ao filho se trabalha 12 horas e se não está com ele.
O seminário, que contou com a coordenação dos professores da ESEnfC, António Couto e Luís Oliveira, organizou-se em duas mesas-redondas. A primeira sobre "Violência Escolar: O Papel da Família", que contou com a participação do Dr. Mário Jorge Loureiro, da Enfermeira Maria de Lurdes Patrício (Departamento de Pedopsiquiatria do Centro Hospitalar de Coimbra) e da psicóloga Ana Azeiteiro (Serviço de Violência Familiar do Hospital Sobral Cid).
Na segunda mesa-redonda - "Bullying: Prevenção, Detecção e Intervenção em Contexto Escolar" - intervieram, ainda, o Enfermeiro Pedro Sousa (mestre em Psicologia Pedagógica), a Professora Ana Paula Santos (coordenadora do projecto de Educação para a Saúde na Escola Secundária de D. Duarte) e a professora Emília Bigotte (presidente da Federação Regional das Associações de Pais da Região Centro).
Carlos Elias, Hilário Soares, Marco Fernandes, Óscar Lopes, Pedro Martins, Ricardo Dinis e Silvério Alvelos foram os organizadores do seminário.
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