O professor José Carlos Pereira dos Santos é coautor de um recente manual na área do suicídio, intitulado “Routledge International Handbook Of Clinical Suicide Research”.
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A obra, que conta com a participação de investigadores de várias disciplinas e continentes (John R. Cutcliffe, José Santos, Paul S. Links, Juveria Zaheer, Henry G. Harder, Frank Campbell, Rod McCormick, Kari Harder, Yvonne Bergmans, Rahel Eynan), é considerada original pelo especialista da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) na área da saúde mental e do para-suicídio. Este novo livro integra dois capítulos dedicados a sobreviventes e a populações indígenas. |
Sobre este tema, entrevistámos José Carlos Santos.
Qual a importância deste manual de investigação na área do suicídio?
Julgo que a importância deste manual advém da sua originalidade e espero que da sua qualidade, mas isso será confirmado ou não pelos leitores. Mas a originalidade é certa pela diversidade de profissionais envolvidos. Pela primeira vez, um manual de suicidologia contém um capítulo escrito por enfermeiros, outro por psiquiatras, psicólogos, técnicos da área social e sobreviventes. Também tem pela primeira vez um capítulo dedicado às populações indígenas, onde o suicídio está a aumentar assustadoramente. Esta abordagem multidisciplinar e multifocal permite-nos perceber a investigação que está a ser realizada e os contributos das várias disciplinas para a abordagem deste fenómeno. Por outro lado, a diversidade de origens geográficas dos autores garante-nos uma visão global do conhecimento.
Que outras questões mais específicas são aqui abordadas?
Mais que temas específicos, era pedido aos autores que apresentassem resultados de investigação ou uma reflexão fundamentada com origem na prática clínica avançada. Por isso, podemos encontrar diversas metodologias, diferentes contextos e vários achados com implicações clínicas.
De uma forma geral, quem são os colaboradores deste livro?
Os convites foram endereçados tendo em conta a experiência profissional de cada autor no domínio da suicidologia. Assim, foram selecionados os profissionais de saúde que cada editor, na sua área de expertise considerava de relevo. Isso levou a que tenha participações de vários continentes. Por outro lado foram constituídos dois capítulos temáticos. Um sobre sobreviventes, para percebermos melhor a vivência da perda e como lidar/atuar sobre ela, e outro sobre populações indígenas que estão de uma forma geral a atravessar um incremento de taxas de suicídio que urge compreender e explicar.
A quem se destina este manual?
A ideia é que este livro possa ser lido preferencialmente por profissionais de saúde, mas também por profissionais de outras áreas disciplinares das ciências sociais e humanas. Todavia, o capítulo dos sobreviventes permite uma leitura mais abrangente, interessando a todos quantos, por um motivo profissional ou outro, se cruzaram com situações de perda por suicídio.



