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Promoção da literacia e prevenção das doenças mentais representam «um ganho para a sociedade»

Os dois últimos dias de fevereiro de 2014 ficarão marcados pela realização, na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, do 1º Congresso Internacional de Literacia em Saúde Mental, subordinado ao tema “Capacitar as pessoas e as comunidades para agir”. O encontro científico insere-se no projeto “Educação e sensibilização para a Saúde Mental: um programa de intervenção escolar para adolescentes e jovens”, inscrito na Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Sobre a importância deste evento, entrevistámos o seu principal mentor, o professor Luís Loureiro.

Professor Luís Loureiro:

 "A literacia em saúde mental é muito modesta, tanto entre adolescentes e jovens, como em adultos. Esse facto pode resultar não só da forma como as doenças são perspetivadas pela sociedade, como também do reduzido investimento nesta área".

A ESEnfC acolhe, quinta e sexta-feira, um grande encontro sobre literacia em saúde mental. Estaremos a falar do 1º congresso internacional sobre esta temática a ser realizado em Portugal?
Apesar de a temática não ser recente, não existe registo de nenhum congresso realizado em qualquer país. Somos levados a crer que é mesmo o primeiro congresso alguma vez realizado, a fazer fé na pesquisa que fizemos na web.

O que é a literacia em saúde mental?
A literacia em saúde mental pode ser definida como as crenças e os conhecimentos que permitem a cada pessoa reconhecer os problemas de saúde mental, prevenir a sua ocorrência e lidar com eles no quotidiano. É um conhecimento voltado para a ação, quer em prol da saúde e bem-estar de cada um, quer em benefício dos outros.

As doenças do foro mental estão a afetar muito os portugueses?
Os dados mais recentes são preocupantes. Tal como se refere no relatório “Portugal Saúde Mental em números - 2013”, a prevalência das perturbações mentais é elevada, com uma proporção significativa dos indivíduos a iniciarem tarde o tratamento, ou a não terem sequer acesso a cuidados adequados às suas necessidades. Tal como se refere no relatório, a Saúde Mental apresenta cinco patologias no “top ten” das doenças responsáveis pela maior incapacidade para a atividade produtiva e psicossocial: a depressão major (em lugar cimeiro), os problemas ligados ao álcool, as perturbações esquizofrénicas, as doenças bipolares e as demências.

Daí a importância de se ter alguma literacia em saúde mental, o que não acontece?
A literacia em saúde mental é muito modesta, tanto entre adolescentes e jovens, como em adultos. Esse facto pode resultar não só da forma como as doenças são perspetivadas pela sociedade, como também do reduzido investimento nesta área. A promoção da literacia e a prevenção das doenças mentais são perspetivadas como um custo, quando na verdade representam um ganho para a sociedade.

Qual a importância da presença de Anthony Francis Jorm no congresso?
É o autor de referência mundial nesta área. Não só introduziu o conceito e o operacionalizou como criou a forma de intervir no terreno, nomeadamente através do programa Mental Health First Aid. A sua participação no 1.º congresso de Literacia em Saúde Mental demonstra a importância que o evento tem no contexto das intervenções neste domínio, especificamente entre adolescentes e jovens. Ao aceitar o convite para participar, vem mostrar que temos tido um trabalho meritório nesta área. É de salientar também que Anthony Jorm está no top da produção científica em revistas com fator de impacto.

E que trabalho relevante é que a ESEnfC, concretamente o grupo de investigação que lidera, está a desenvolver ao nível da promoção da saúde mental?
São várias as atividades em que somos pioneiros. Desde logo o portal «Feliz Mente», que é uma ferramenta disponível para adolescentes, jovens, adultos, professores, profissionais de saúde, país e encarregados de educação. Agora teremos a implantação no terreno do Programa de Primeira Ajuda em Saúde Mental, dirigido aos profissionais de educação e saúde. O trabalho que vimos desenvolvendo está também patente na produção científica que vimos fazendo e publicado em jornais e revistas internacionais com fator de impacto.

Este encontro científico insere-se no projeto “Educação e sensibilização para a Saúde Mental: um programa de intervenção escolar para adolescentes e jovens”?
Este congresso faz parte do projeto, sendo a última iniciativa antes do seu encerramento, no âmbito do apoio que tem merecido por parte da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O projeto terá continuidade de duas formas, quer através da plataforma Feliz Mente, quer ainda com a implantação do curso de primeira ajuda em saúde mental em Portugal.

Quais os principais objetivos do congresso?
Este congresso pretende ser um espaço de encontro e debate de todos os que se interessam pelas questões da literacia em saúde mental nos mais diversificados domínios de intervenção e investigação. Neste sentido, o congresso contempla uma abordagem multidisciplinar onde aspetos como a promoção da saúde, a educação para a saúde e a comunicação em saúde podem ser debatidos de forma a contribuir para as políticas e práticas de saúde.


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