Uma investigação de mestrado realizada na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) faz, provavelmente pela primeira vez, a ponte entre os cuidados de Enfermagem prestados ao utente portador de cateter venoso periférico e o impacte microbiológico daí resultante.
A investigação, da enfermeira Daniela Vidal Correia Pereira dos Santos, foi desenvolvida nos últimos três anos (de 2011 a 2014), num hospital central da região Centro e teve por base o estudo de 1080 procedimentos de cateterização venosa periférica (a um total de 411 utentes), dos quais foram analisados microbiologicamente 335 cateteres e respetivas zaragatoas (objeto usado para aplicar medicamentos ou recolher amostras para análise) do local de inserção.
Registe-se que dos 335 cateteres estudados 62,7% apresentavam pelo menos uma unidade formadora de colónia.
Todavia, só em 91 cateteres se realizou a identificação dos microrganismos, por neles se observar a presença de 15 unidades formadoras de colónia (portanto, com maior risco de infeção), algumas das quais «comensais da pele, outras caraterísticas do ambiente hospitalar, algumas comensais da flora intestinal e trato urinário, bem como de esgotos», conclui-se da leitura do estudo de mestrado.
Para a enfermeira Daniela Santos, importa «haver um maior rigor na adoção de medidas simples», além da «necessidade de reconhecer o cateterismo venoso periférico como um procedimento complexo e que é considerado um fator de risco extrínseco», que confere maior probabilidade de se poder vir a desenvolver uma infeção associada aos cuidados de Saúde – um risco acrescido de 70%, segundo dados já avançados em 2009 pela Direção-Geral da Saúde.
Surge, pois, a necessidade de reforçar o interesse dos enfermeiros no controlo da infeção, o que poderá passar pela adoção de práticas baseadas na evidência e pela criação de momentos regulares e formais para apresentação/discussão de recomendações e resultados de investigação.
Esta investigação foi realizada no âmbito do II Curso de Mestrado em Enfermagem, área de Especialização de Supervisão Clínica, ministrado na ESEnfC.
A dissertação de mestrado foi defendida na final do último ano letivo, tendo a enfermeira Daniela Santos obtido a classificação de 19 valores.
O júri do ato público da defesa da dissertação foi constituído pelos professores Paulo Joaquim Pina Queirós (presidente), João Manuel Garcia do Nascimento Graveto (orientador), Carlos Alberto Cruz de Oliveira (arguente) e Anabela de Sousa Salgueiro Oliveira (coorientadora).



