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Professor da ESEnfC pede à comunicação social que ajude a prevenir o suicídio

O professor da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC), José Carlos Santos, apelou, na Assembleia da República, para que comunicação social e profissionais de saúde, juntos, possam «prevenir» ou, «pelo menos, não contribuir para mais comportamentos suicidários».

O especialista da ESEnfC, que interveio, no dia 14 de outubro, na conferência “Media e Saúde Mental”, referiu que vários estudos desenvolvidos desde 1974 concluíram, «na sua esmagadora maioria», pela «associação entre as notícias veiculadas pelos media e os casos de suicídio».

Doutor em Saúde Mental e mestre em Sociopsicologia da Saúde, José Carlos Santos aludiu ao impacto das notícias sobre o suicídio do ex-guarda-redes Robert Enke, a 10 de novembro de 2009, através da precipitação para a linha de comboio.

«Investigadores verificaram que, nas quatro semanas após o ocorrido, os comportamentos suicidários nos caminhos-de-ferro alemães mais que duplicaram e, passados dois anos, o efeito se mantinha com um aumento de 31,3% em homens e 17,6% em mulheres. Confrontados com estes resultados, seria um abuso dizer que apenas a comunicação social contribuiu para este efeito, mas negar o seu papel também não seria o correto», sustentou José Carlos Santos, ao discursar na Sala do Senado da Assembleia da República.
 

 

Guidelines para noticiar o suicídio
Por oposição àquele caso, o especialista em Enfermagem de Saúde Mental referiu-se aos suicídios na linha de metro de Viena (final dos anos 80). Nesta situação, seis meses após a introdução de guidelines (linhas orientadoras) sobre como dar notícias de suicídio, assistiu-se a «uma redução de cerca de 80%» no número de pessoas que tiraram a própria vida.

No entender do professor da ESEnfC, estas situações devem ser aproveitadas como uma «oportunidade para educar/informar o público sobre suicídio», para «evitar linguagem sensacionalista ou que trate o suicídio como normal ou como uma solução para os problemas», assim como para «evitar uma descrição explícita do método utilizado no comportamento suicidário».

«Ter particular cuidado na reportagem sobre suicídio de celebridades» e «fornecer informação acerca dos locais onde se pode encontrar ajuda» são outros aspetos a ter em conta na elaboração de notícias sobre estes casos, recomendou.

José Carlos Santos é coordenador do programa “+ Contigo”, que visa a promoção da saúde mental e a prevenção do suicídio entre adolescentes (em meio escolar).

«Esta é outra forma de abordar e falar de comportamentos suicidários: não esperando que aconteçam, mas atuando na sua prevenção», disse o professor da ESEnfC.

A conferência “Media e Saúde Mental” foi organizada pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social e pelo Programa Nacional para a Saúde Mental, tendo merecido o apoio da Comissão Parlamentar de Saúde e da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação.


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