Notícias
Colóquio revisitou paisagens da saúde mental

Lutar contra o estigma e a discriminação foi um dos propósitos do colóquio/debate “Esta é a minha casa: vi(ver) n(a) comunidade”, organizado, no dia 2 de julho, por docentes da Unidade Cientifico-Pedagógica (UCP) de Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica, da ESEnfC.

Sabendo-se, por um lado, que «uma em cada quatro» pessoas «vai ter um problema de saúde mental ao longo da vida», conforme notou o professor Luís Loureiro, e assistindo-se, por outro, a um encerramento progressivo dos grandes hospitais psiquiátricos e ao regresso dos doentes mentais às famílias e à comunidade, os professores da ESEnfC quiseram falar sobre “psicofobia” (preconceito contra pessoas que sofrem de um problema de saúde mental), sobre as “minorias” em saúde e sobre o reconhecimento e o desconhecimento dos problemas de saúde mental.

Para isso, a organização do colóquio começou por exibir o documentário sobre o quotidiano de doentes mentais no meio rural, “Esta é a Minha Casa”, do enfermeiro Pedro Renca.

O próprio enfermeiro Pedro Renca, do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da Unidade Local de Saúde da Guarda, falou sobre o documentário que realizou, que retrata o trabalho de reabilitar e integrar o doente mental no respetivo ambiente familiar e que leva as equipas de saúde comunitária a percorreram 2.200 quilómetros mensais de estradas sinuosas para prestarem cuidados e administrarem a terapêutica.

Por sua vez, a professora Ana Paula Monteiro, que mostrou um documentário científico filmado na Alemanha, durante 1941, num hospital psiquiátrico (sobre eutanásia no período nazi), considerou que o fecho de muitos serviços de saúde mental configura «novas formas de exclusão social gravíssimas».

 

 

Amorim Rosa, outro docente da ESEnfC que interveio no debate, falou sobre “Reconhecimento versus desconhecimento dos problemas de saúde mental”, tendo por base um estudo que está a ultimar acerca de literacia em saúde mental.

De acordo com este investigador, «a população em geral e os adolescentes em particular demonstram dificuldades significativas no reconhecimento das perturbações mentais e na identificação dos seus sintomas-chave». Tal traduz-se na prática, segundo salientou, em «comportamentos de procura de ajuda desajustados das necessidades, com desvalorização das ajudas profissionais e preferência por fontes informais».

«As respostas comunitárias de apoio a doentes e famílias e os sistemas de apoio em saúde mental são ainda escassos, pouco articulados e tendem a não acompanhar as necessidades emergentes de uma desinstitucionalização em massa», constata a comissão científica e organizadora do colóquio, composta, justamente, pelos professores Luís Loureiro, Amorim Rosa e Ana Paula Monteiro.

A Presidente da ESEnfC, Maria da Conceição Bento, esteve na sessão de abertura do colóquio.


Eventos
Ver Todos

  • MAY
    18
    ESEUC
    2.ª Bienal de Investigação em Enfermagem
  • MAR
    05
    Ciclo de webinars: Saúde Mental na Prática - Diversidade e Respeito
  • FEB
    23
    UICISA:E > ESEnfC
    19th Comprehensive Systematic Review Training Program (CSRTP)
  • FEB
    05
    Ciclo de webinars: Saúde Mental na Prática - Tempo e Exigências
  • JAN
    22
    Presencial: Polo A
    18º Fórum Internacional de Empreendedorismo