Maria da Conceição Bento com pares do projeto “MPIPrevEdu" em Sumbe, capital da província do Cuanza Sul
A professora da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC), Maria da Conceição Bento, salientou, em Angola, a importância do trabalho de cocriação no âmbito de um projeto liderado pela instituição portuguesa, que visa melhorar o controlo das infeções maternas periparto em países da África subsariana – para já, também em Moçambique – e, assim, diminuir a mortalidade de mulheres e recém-nascidos.
«Aqui, cada instituição contribui com a sua experiência, cada perspetiva enriquece o debate e cada reflexão adiciona valor ao futuro modelo que iremos construir», afirmou a docente da ESEUC, ao intervir na abertura da segunda reunião transnacional do projeto “MPIPrevEdu - Empowering Sub-Saharan African HEIs to educate nursing students on sustainable and innovative peripartum maternal infection control practices”, que se realizou, de 13 a 20 de dezembro, no Instituto Superior Politécnico do Cuanza Sul (ISPCS), na cidade de Sumbe.
Ao notar que, «mais do que um espaço de apresentação de resultados», aquela reunião era «um lugar de cocriação», Maria da Conceição Bento vincou que o consórcio ibero-africano, constituído por seis instituições de ensino superior – de Angola, Espanha, Moçambique e Portugal –, tem «a responsabilidade – e o privilégio – de cocriar um instrumento pedagógico inovador, com impacto real nas práticas clínicas e na formação dos futuros enfermeiros da região».
De acordo com a professora da ESEUC, «a Organização Mundial da Saúde estima que uma parte substancial» daquelas mortes «é evitável, resultando de limitações nas condições de assistência, na escassez de recursos e na insuficiente formação especializada dos profissionais». E que, por isso, «o fortalecimento das competências de enfermeiros, parteiras e outros profissionais é determinante para melhorar práticas, prevenir complicações e salvar vidas».
É nesse contexto que, com o apoio da União Europeia (cofinanciamento do programa Erasmus+), surge o projeto “MPIPrevEdu”, iniciado em Coimbra em março de 2025. O projeto tem como objetivo formar educadores e estudantes de Enfermagem de instituições de ensino superior de Angola e de Moçambique sobre práticas de controlo de infeções maternas periparto, que sejam simultaneamente sustentáveis e inovadoras, contribuindo para uma maternidade mais segura.
O consórcio ibero-africano pretende assegurar o desenvolvimento de currículos para a prevenção e controlo das infeções maternas periparto, através de um modelo educativo (Modelo MPIPrevEdu) com recurso a cenários de simulação e à construção de livros digitais (e-books) que integrarão a abordagem teórica, a formação pedagógica e as situações simuladas, quer em ambiente de serviços de saúde, quer em contexto comunitário.
Com Maria da Conceição Bento estiveram, também, em Angola, as professoras Ana Poço, Marlene Lopes, Teresa Neves e Teresa Silva, que participaram em várias reuniões de trabalho com perto de 30 representantes das instituições envolvidas no projeto: além da ESEUC e do ISPCS, também o Instituto Superior Politécnico Privado da Catepa (Angola), as universidades Lúrio e Católica de Moçambique e a Universidad de Valladolid (Espanha).
Diversas personalidades de Angola passaram pela segunda reunião transnacional do projeto “MPIPrevEdu”, como o presidente do ISPCS, Raimundo Kwaya, a vice-governadora para o Setor Político, Social e Económico da província do Cuanza Sul, Clara Vieira Tavares, o diretor nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, Amílcar Bernardo Tomé da Silva, a administradora municipal do Sumbe, Maria Domingos Sumano, e o diretor provincial da Educação do Cuanza Sul, José Alfredo Eduardo.
Também a coordenadora regional da Rede de Enfermagem da Saúde das Mulheres dos Países de Língua Oficial Portuguesa e consultora do projeto, Fernanda Baptista Cardoso, e alguns diretores de hospitais angolanos estiveram neste encontro.
(FOTOS: Instituto Superior Politécnico do Cuanza Sul)
[2025-12-29]



