Vice-reitor Delfim Leão (entre João Apóstolo e Maria da Conceição Bento) satisfeito com “visita” à unidade de investigação da ESEUC
O vice-reitor da Universidade de Coimbra (UC) para a Cultura, Comunicação e Ciência Aberta, Delfim Leão, congratulou-se, na última quinta-feira, com o trabalho para acesso livre ao conhecimento científico que está a ser feito pela Escola Superior de Enfermagem, considerando «robusta» a intervenção da comunidade de investigadores do estabelecimento de ensino no propósito de tornar a ciência um bem comum disponível a todos os cidadãos.
Para o professor da Faculdade de Letras da UC, membro do Open Science Advisory Committee da UNESCO, que intervinha na primeira sessão do Ciclo de Conferências “abreTciência” 2026, iniciativa organizada pela Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem (UICISA: E), ficou «muito claro» que a Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC) «leva muito a sério a questão da Ciência Aberta», com «boas práticas desde a licenciatura», o que, segundo disse, «a diferencia de forma muito positiva».
O vice-reitor da UC falou sobre a Recomendação da UNESCO para a Ciência Aberta (documento concluído em 2021), notando que este «novo paradigma» para a atividade científica «foi um acelerador muito claro durante a pandemia» e que, «não fosse a partilha de dados, de estudos e investigações durante a pandemia», a obtenção de uma vacina não teria sido «tão rápida».
Referiu-se às vantagens de algumas infraestruturas de Ciência Aberta, ao diálogo com outros sistemas de conhecimento e à colaboração entre cientistas e agentes da sociedade.
Mostrou-se, todavia, preocupado com o futuro da Ciência Aberta, «num mundo a fechar-se sobre blocos», em que a «ciência é posta em causa» e, «em lugar dela, pulula a desinformação».
Referindo-se a «problemas sérios», de saber «o que é ou não fiável», Delfim Leão questionou «até que ponto tudo o que colocarmos em acesso aberto, numa lógica de trabalhar para o bem comum, não vai ser utilizado de forma perversa», dizendo esperar, por outro lado, que nunca surja uma «situação de corte de financiamento» que impeça a progressão da Ciência Aberta, ainda que ela esteja sempre condicionada por um dos seus pilares: «tão aberta quanto possível e fechada apenas quanto necessário».
Cidadãos e investigadores num “processo de decisão ombro a ombro”
Sílvia Silva, docente e investigadora da ESEUC, falou sobre as atividades desenvolvidas pelo grupo de trabalho para a Ciência Cidadã, que lidera na UICISA: E, a começar por um instrumento de avaliação da qualidade das comunicações em saúde que está a ser construído conjuntamente com cidadãos, investigadores e profissionais de saúde. O objetivo é que os materiais sejam claros para a população a que se destinam.
Também a formação em Ciência Cidadã, com a introdução de duas horas sobre este conteúdo em todas as unidades curriculares de Investigação nos mestrados da ESEUC, uma formação de base sobre Ciência Cidadã num curso à distância para os cursos de pós-graduação numa instituição no Brasil, ou a participação em grupos de trabalho de Ciência Aberta, foram aspetos referidos por Sílvia Silva.
«Pretendíamos, no futuro, que o cidadão estivesse sentado connosco a investigar, num processo de decisão mútua e ombro a ombro», afirmou a especialista em Saúde Comunitária, ao notar que, apesar de «mais demorado», até mesmo «mais doloroso», o processo de construção científica, este é um caminho que «traz um contributo para a sociedade».
Fortalecer “o papel social” da publicação científica
Intervieram, ainda, na primeira sessão do Ciclo de Conferências “abreTciência” 2026, a bolseira de investigação Daniela Pinto, a investigadora auxiliar Elaine Santana e a professora Tereza Barroso, diretora da Revista de Enfermagem Referência, editada desde 1998 e também um instrumento ao serviço da Ciência Aberta.
Para Tereza Barroso, que é igualmente coordenadora da Biblioteca Virtual em Saúde – Enfermagem, em Portugal, rede que envolve mais sete países da Ibero-América, os principais desafios da Revista de Enfermagem Referência passam por «tornar os resultados da investigação mais acessíveis», fortalecendo «o papel social» da publicação científica, e por «ampliar o impacto das inovações geradas».
Na sessão, assistida por estudantes do doutoramento em Enfermagem, estiveram, também, a Diretora da ESEUC, Maria da Conceição Bento, e o coordenador científico da UICISA: E, João Alves Apóstolo.
Este ciclo de conferências da UICISA: E prossegue, no dia 14 de abril (a partir do próximo mês, em regime exclusivamente online), com o tema “Princípios FAIR: Tornar os dados Localizáveis, Acessíveis, Interoperáveis e Reutilizáveis”, a tratar por Inês Caramelo (Instituto de Investigação Interdisciplinar da UC).
“Política de Acesso Aberto a Publicações Científicas FCT” (em maio), “Planos de Gestão de Dados: Como escrever, usar e atualizar de forma eficaz”, “Licenças, Direitos de Autor e Propriedade Intelectual” (ambas em junho) e “RGPD e Partilha Ética de Dados em Investigação: Riscos, Responsabilidades e Soluções” (em julho), são os temas das quatro conferências seguintes.
[2026-03-16]



