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ESEUC e ULS de Coimbra ensaiam consulta híbrida para pessoas com doença arterial obstrutiva periférica e seus cuidadores


Equipa multidisciplinar do projeto "mVasc.4U" liderada pelo professor Pedro Sousa


Um inovador modelo de consulta híbrida (combinando acompanhamento presencial e à distância) pensado para pessoas com doença vascular crónica – para já, para utentes com doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) que foram submetidos a cirurgia de revascularização – e seus cuidadores informais está a ser desenvolvido por uma equipa multidisciplinar da  Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC) e da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra.

A consulta, a implementar no Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular da ULS de Coimbra e que será coordenada por enfermeiros, tem por objetivos promover a adesão ao tratamento, garantir a continuidade dos cuidados, prevenir complicações e levar à adoção de estilos de vida saudáveis.

Com esta parceria, procuram, também, as duas instituições contribuir para resultados em saúde custo-efetivos (melhor benefício possível com um menor custo financeiro e de recursos associado).

«Reforçar a capacitação do utente e do cuidador informal, promovendo a adesão ao tratamento e maior autonomia na gestão da doença», são, pois, objetivos deste novo modelo de consulta, cujo trabalho de conceção e avaliação da respetiva viabilidade, a realizar ao longo de 18 meses, compreenderá «monitorização remota, educação digital e acompanhamento estruturado», explica o professor da ESEUC e coordenador deste projeto de investigação clínica em cocriação, Pedro Sousa.

«Ainda estamos a desenhar o modelo da consulta, que dependerá dos resultados de um estudo inicial das necessidades do serviço e das experiências e relatos de utentes, cuidadores informais e profissionais de saúde», nota o docente da ESEUC.

Para este responsável, «a expetativa» é de que, na consulta dirigida à díade utente-cuidador, «existam momentos presenciais e outros por via digital, incluindo telemonitorização e telesseguimento, ajustados ao perfil e às necessidades de cada pessoa».

Prevê-se a disponibilização de conteúdos digitais (materiais audiovisuais, brochuras e mensagens personalizadas) e o contacto regular com enfermeiros, através de chamadas ou videochamadas.

 

Doença eleva peso das hospitalizações e da mortalidade cardiovascular

«A preocupação da Enfermagem centra-se na promoção da adesão ao tratamento, na garantia da continuidade dos cuidados e na prevenção de complicações, bem como na capacitação para a adoção de estilos de vida saudáveis, com impacto direto e indireto nos ganhos em saúde», destaca Isabel Margarida Santos, enfermeira e investigadora responsável pelo projeto na ULS de Coimbra.

Estima-se que a DAOP, que se carateriza pela progressão da aterosclerose sistémica (acumulação de placas de gordura nas paredes das artérias, que levam à redução ou bloqueio do fluxo sanguíneo) e que está associada a um elevado risco cardiovascular, afete mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo.

A sua prevalência tem vindo a aumentar, acompanhando a elevada incidência de fatores de risco como diabetes e tabagismo, contribuindo de forma significativa para a carga global de doença, hospitalizações e mortalidade cardiovascular.

«Em Portugal, apesar de subdiagnosticada, estima-se uma prevalência significativa, sobretudo em idades mais avançadas. O estudo da DAOP é essencial para melhorar o diagnóstico precoce, orientar intervenções e reduzir o impacto em termos de morbilidade e qualidade de vida», salienta Pedro Sousa.

O projeto “mVasc.4U – Modelo Híbrido de Gestão de Casos de Pessoas com Doença Vascular Crónica: Promover a autogestão e capacitação do utente e cuidador informal” integra uma equipa multidisciplinar. Pela ULS de Coimbra participam Isabel Margarida Santos (enfermeira) e Vânia Constâncio Oliveira (médica). Pela ESEUC, fazem parte da equipa Pedro Sousa e Isabel Oliveira (professores de Enfermagem), Diana Pinto (Psicologia) e Felipe Fernandes (Informática).

O projeto “mVasc.4U” é um de quatro projetos de investigação clínica a desenvolver em cocriação por profissionais da ESEUC e da ULS de Coimbra, que foi, no início do ano, distinguido com um prémio de 10 mil euros no âmbito de um concurso promovido e financiado em partes iguais pelas duas instituições.

[2026-04-15]


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