Preocupado, mas ainda assim optimista. O Dr. António Arnaut, afirmou, hoje (30 de Maio), que se está a assistir a uma «degradação do Serviço Nacional de Saúde (SNS)» e a uma «fuga» dos seus recursos humanos «para o sector privado», com a agravante da «destruição das carreiras dos profissionais de saúde».
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O promotor da lei que criou o SNS, que proferia a conferência inaugural do encontro "Gerir em Tempos de Mudança", realizado na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC), referia-se ao facto de, «hoje, a maior parte das pessoas estar com contrato individual de trabalho». |
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Por outro lado, ao notar que «a Saúde é apetecível» para os negócios privados, que se têm expandido com a construção de novos hospitais, enquanto se verifica uma «retracção no sector público», o advogado de Coimbra salientou que se está perante «medidas que, no seu conjunto, se destinam a destruir o SNS e a deixá-lo como uma coisa residual para os pobrezinhos».
«O SNS não está moribundo e há muita gente que o quer», sustentou o também membro do grupo de personalidades externas que integram a Assembleia para a Revisão dos Estatutos da ESEnfC.
O Dr. António Arnaut defendeu, sim, o ataque ao desperdício no SNS e o regime de dedicação exclusiva. Disse, ainda, que «é preciso motivar os profissionais de saúde», em nome da melhoria da qualidade de vida das populações.
«O SNS está vivo e está para ficar», rematou, ao insistir que «não se pode falar de democracia se não houver igualdade de acesso» aos cuidados de saúde oferecidos pelo Estado.
Reflectir sobre os desafios e as tendências em torno da Gestão em Saúde foi o objectivo do encontro "Gerir em Tempos de Mudança".
A realização deste tipo de iniciativas na ESEnfC é «da maior importância», na perspectiva de «articulação e complementaridade com outras instituições, no sentido de assegurar as condições para a formação ao longo da vida e, ainda, de debater questões relacionadas com a gestão e com a saúde», considera a Professora Manuela Frederico, da Comissão Organizadora do encontro.



