A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) é parceira no projecto "SauDar - Género, Saúde e Imigração", cuja proponente é a Associação Graal e no qual também coopera a Gaudeamus - Associação Juvenil.
Pretende-se com este projecto «facilitar o acesso de mulheres imigrantes aos cuidados de saúde primários e materno-infantis, tentando vencer estereótipos, já que nem sempre os profissionais de saúde estão formados para lidar com diferentes situações culturais», explica a responsável da Associação Graal (Grupo de Coimbra), Doutora Natália Cruz.
Do lado da ESEnfC, a Professora Paula Monteiro refere que há cada vez mais mulheres associadas a projectos migratórios autónomos e não apenas ao abrigo da reunificação familiar, chamando a atenção para a especial sensibilidade que há que ter com este grupo, também em termos de avaliar a vulnerabilidade ao stress e para salvaguarda da saúde mental e da qualidade de vida.
Se a mulher, em determinados contextos, é vulnerável, isso é mais evidente nas mulheres imigrantes, sobretudo nas que chegam sozinhas a um país desconhecido, sem redes de suporte social e com os riscos acrescidos de se tornarem vítimas de violência ou de exploração sexual, salienta Paula Monteiro, da Unidade Científico-Pedagógica de Saúde Mental, da Família e da Comunidade.
Também a integração sócio-comunitária e laboral, assim como os processos burocráticos de legalização, podem ser mais difíceis para as mulheres imigrantes, visto que muitas vezes enfrentam mais barreiras económicas e culturais no país de acolhimento.
Por outro lado, a Professora Maria Neto, da ESEnfC, considera que esta é «uma temática extremamente importante», ao afirmar que a dificuldade de linguagem (de não se fazerem entender ou de não serem percebidas nos contextos) condiciona o acesso das mulheres imigrantes aos serviços de saúde, o que justifica a dedicação a este «grupo social de elevado risco».
A título de exemplo, a Professora da Unidade Científico-Pedagógica de Enfermagem Materna e Infanto-Juvenil explica que, «durante a gravidez, e concretamente durante o parto, as mulheres da Europa de Leste, africanas e asiáticas têm outros olhares sobre o nascimento e sobre os cuidados com os bebés, que são agravados pela dificuldade de comunicação, comprometendo a prestação de cuidados culturalmente sensíveis».
«Para ninguém ser estrangeiro na nossa sociedade, temos de exercer a nossa cidadania e de promover os Direitos Humanos. Com o aumento dos fenómenos migratórios - quer em número, quer em diversidade -, é fundamental que as imigrantes, e também os imigrantes, se sintam acolhidos, ainda que não estejam no seu país de origem», salienta a Professora Maria Neto. Em 2008, comemora-se o Ano Europeu do Diálogo Intercultural, sendo uma oportunidade para «rentabilizar a diversidade de culturas e de pessoas na nossa comunidade», conclui.
O projecto "Género, Saúde e Imigração" foi candidatado a financiamento por via do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional).
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