A Presidente da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) afirmou, no Dia da Instituição (que se comemora a 17 de março), que «a integração na Universidade vai exigir um plano estratégico de e para a transição, uma nova reorganização, uma nova reconstrução de identidade e a mobilização de todos».
Há muito «traçada no plano do desejo», esta é «uma grande meta por cumprir: a de sermos uma Escola de Ensino Universitário», frisou Maria da Conceição Bento, na cerimónia, ao notar que a tarefa, «difícil, exigente e morosa», vai obrigar a «continuar a trabalhar» para a «consolidação e reconhecimento da Enfermagem como área científica autónoma».
Isto apesar de, hoje, a ESEnfC ser «uma Escola com mais investigação, mais qualificada ao nível de pessoas e dos recursos, mais conhecida e reconhecida pelo trabalho que desenvolve, mais internacionalizada, mais interveniente no espaço público», referiu a dirigente máxima da instituição. Que agradeceu a todos quantos participaram no desenvolvimento e na transformação da Escola de Coimbra.
Noutro momento forte do discurso, a Presidente da ESEnfC salientou que «os cortes na dotação de enfermeiros para reduzir custos podem ter efeitos adversos nos resultados em saúde e nos doentes».
E fundamentou-se num estudo desenvolvido em nove países da Europa (Bélgica, Inglaterra, Finlândia, Irlanda, Países Baixos, Noruega, Espanha, Suécia e Suíça), publicado na Lancet, que associa dotação e qualificação de enfermeiros ao número de mortes hospitalares evitáveis.
De acordo com o estudo recente (publicado em fevereiro de 2014), «o aumento em um doente na carga de trabalho dos enfermeiros aumenta em 7% a probabilidade de um doente hospitalizado morrer no prazo de 30 dias a contar da admissão».
Inversamente, segundo o estudo, «cada aumento de 10% nos enfermeiros com licenciatura» é associado «a uma diminuição de 7% nesta probabilidade».
Foi neste enquadramento que Maria da Conceição Bento disse querer «poder ter a certeza que os jovens que formamos têm oportunidade de pôr os seus saberes ao serviço dos portugueses, que deles necessitam». Porém, «face às dificuldades financeiras, temos cortado na enfermagem», disse mais adiante a Presidente da ESEnfC, ao registar que «poupanças através de uma melhor eficácia são difíceis de alcançar».
Para a professora Maria da Conceição Bento, «Portugal deve orgulhar-se do percurso feito no domínio do ensino de enfermagem e deixar de dar passos que levarão ao retrocesso na área da saúde».
No Dia da Escola, intervieram, ainda, Rita Pinto (presidente da Associação de Estudantes da ESEnfC) e Maria Augusta de Sousa (antiga bastonária da Ordem dos Enfermeiros e membro do Conselho Geral da ESEnfC).
Do programa comemorativo do Dia da Escola constaram, ainda, momentos musicais (pelo Grupo Coral da ESEnfC e pela Tuna de Enfermagem de Coimbra), as homenagens aos funcionários que fizeram 25 anos de atividade e aos recém-aposentados da ESEnfC, assim como a apresentação de um tríptico do pintor DeMar (o professor da ESEnfC, Manuel Alves Rodrigues, ofereceu uma obra à instituição, reproduzida num painel de azulejos).
Docentes que completaram 25 anos de serviço na ESEnfC (na foto em cima com a Presidente)
Luís Leitão Sarnadas, Manuel Alberto Pereira Pinto, João José de Sousa Franco, Maria da Conceição Saraiva da Silva Costa Bento, António Fernando Salgueiro Amaral,
Maria Helena dos Santos Quaresma, Luís Miguel Nunes Oliveira e Carlos Alberto Cruz de Oliveira.
Docentes e não-docentes recém-aposentados da ESEnfC
Maria Vitória Pereira de Almeida, Providência Pereira Marinheiro, Dionísia da Costa Loreto, Elvira Maria Martins dos Santos, Marília da Conceição Silva Loureiro Simões, Maria Arminda Gomes (docentes), Maria Fernanda Domingues Videira, Maria Helena Saraiva dos Santos Pereira, Maria Adília de Castro Monteiro e Maria Antónia Baptista Correia de Sousa (não docentes).



