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Presidente da ESEnfC adverte: deixou de se investir na formação especializada de enfermeiros

 

«Em Portugal deixou de se investir na formação especializada de enfermeiros», o que poderá repercutir-se «na saúde dos portugueses», alertou, no discurso pós-tomada de posse, a nova Presidente da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC), Aida Cruz Mendes, ao implicar, como corresponsáveis, todas as partes envolvidas na formação e no exercício da atividade daqueles profissionais de saúde.
 

Aida Cruz Mendes: «A enfermagem é uma ciência e uma profissão»

 

Para Aida Cruz Mendes, que no dia 23 de julho foi investida nas funções de Presidente da ESEnfC, a generalidade das escolas de Enfermagem tem «vindo a formar enfermeiros de alta qualidade, considerando a sua fase de iniciação», mas depois «não existe uma política de apoio à continuidade de formação, concretizada em bolsas para a formação avançada», nem mesmo «de redução ou adequação dos regimes de trabalho». E o mesmo é valido, segundo nota, para a «valorização», que a existir será de forma muito incipiente, disse, da «progressão profissional pela qualificação da formação desenvolvida».

Ao discursar para um auditório fortemente representado por autoridades políticas, académicas, civis, militares e judiciárias, a nova Presidente da ESEnfC observou, ainda, que «as escolas têm um papel fundamental na criação das condições para que esta necessidade de formação possa ser realizada ao longo da vida».

Aida Cruz Mendes considera que «o desenvolvimento profissional» se tem realizado «de forma não completamente articulada com o desenvolvimento académico», criando «um fosso entre a enfermagem clínica e a académica».

Apesar dos «constrangimentos» que dificultam o desenvolvimento da Enfermagem em Portugal, como «o número reduzido de enfermeiros nas equipas de trabalho», todos os anos cerca de mil destes profissionais completam cursos de pós-licenciatura e ou de mestrado em diferentes áreas de especialização», referiu a dirigente da ESEnfC, ao frisar que «a frequência destes cursos não é, frequentemente, facilitada com adequações de horários de trabalho e muito frequentemente a sua conclusão também não representa um acesso a melhores condições de trabalho, a possibilidade de exercer funções mais diferenciadas para as quais adquiriram competências, nem a automática progressão profissional».

«Fazem-no porque são altamente comprometidos com os valores da enfermagem e adquiriram as competências necessárias para perceberem que o conhecimento é dinâmico e que o estudo é um motor essencial para um desempenho de qualidade», analisa a professora Aida Cruz Mendes.

 

Incompreensão do campo de investigação da enfermagem

A Presidente da ESEnfC salientou que «a rotina do quotidiano, ao invés de trazer mais conhecimento, se não for devidamente enquadrada, acompanhada de estudo e refletida, pode trazer um exercício mecanizado com apagamento da individualidade de cada pessoa a quem se destina o nosso cuidado e com progressivo afastamento da melhor evidência produzida». Por isso, insistiu: «A enfermagem é uma ciência e uma profissão e estas duas dimensões são indissociáveis».

Dois outros fatores prejudicam, de acordo com Aida Cruz Mendes, o desenvolvimento da enfermagem em Portugal. Por um lado, o facto de, até ao momento, a enfermagem não ser classificada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) como uma área/subárea científica, numa «clara indefinição e incompreensão do campo de investigação da enfermagem». Por outro lado, a inexistência em Portugal, «contrariamente a muitos outros países, de escolas universitárias de enfermagem que possam desenvolver um plano integrado de formação e investigação desde a pré-graduação e iniciação à investigação até aos estudos pós-graduados e de investigação avançada».

Para a Presidente da ESEnfC, «urge melhorar a articulação ensino-investigação-extensão» e fomentar a ligação da Escola «com outras entidades representativas da profissão, aumentando a sua contribuição para o desenvolvimento profissional».

Aida Cruz Mendes, que nos próximos quatro anos exercerá as funções até aqui detidas por Maria da Conceição Bento, será coadjuvada por Manuel Alves Rodrigues, Fernando Dias Henriques (vice-presidentes) e Maria do Céu Carrageta (adjunta da Presidente).

 

[2018-07-25]


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