Atividade da ESEUC chega, em menos de um mês, a quase meio milhar de pequeninos
Só entre meados de janeiro e o dia 6 de fevereiro deste ano (menos de um mês), o "Hospital dos Superpoderes" já interveio junto de 472 crianças do ensino pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico, numa atividade pedagógica através da qual a Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC) procura acabar com o medo que, por vezes, se instala junto dos mais pequenos, quando confrontados com os cuidados e os profissionais de saúde.
Inserida no projeto de extensão à comunidade "Saúde e Saber: Segredo de Viver”, a iniciativa, criada em 2019, visitou, durante este período, o Colégio Rainha Santa Isabel, duas casas da Criança e o Colégio [da Fundação] Bissaya Barreto, assim como a Creche e Jardim de Infância Os Pimentinhas, todos estabelecimentos no concelho de Coimbra.
A receita é simples e tudo começa com o recurso à diversão. As crianças são convidadas a levarem bonecos de casa para o estabelecimento de ensino que frequentam e que ali, em ambientes imaginários, personificam meninos e meninas doentes.
Numa envolvência simulada de cuidados de saúde primários, de enfermaria e de bloco operatório, os mais novos interagem com a equipa do projeto (docentes e estudantes de Enfermagem) que, entre brincadeiras, lhes «explicam os procedimentos, desmistificam o medo e, numa ótica promotora da saúde, realizam ensinos sobre hábitos e estilos de vida saudáveis», como «a importância da higiene das mãos, ou a higiene oral», relata Ana Filipa Sousa, professora adjunta da ESEUC e uma das dinamizadoras do "Hospital dos Superpoderes".
Assistindo-se, nestes cenários, a uma «inversão de papéis», a criança, agora «empoderada do conhecimento, é a cuidadora do seu brinquedo doente e pode, em interação com a equipa, simular a realização de uma consulta de vigilância com monitorização de parâmetros vitais (tensão arterial, temperatura...), dados antropométricos (como o peso), administração de vacinas, realização de tratamentos de feridas, e também simulação de intervenções cirúrgicas, desde o processo de sedação até ao "despertar" pós-cirúrgico do brinquedo», adianta ainda a responsável.
Cada criança é, depois, no final da atividade, premiada com uma medalha de bom comportamento – com o logótipo da atividade, que desde 2023 é uma marca nacional registada –, levando também consigo «uma receita para o domicílio, para continuidade de cuidados aos seus bonecos», explica Ana Filipa Sousa que, com as também professoras Lurdes Lomba e Ana Perdigão, dirige o projeto da ESEUC, "Saúde e Saber: Segredo de Viver".
De acordo com a docente, especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, «esta é considerada uma atividade de sucesso pelas educadoras e professores», sendo «reconhecida pelos próprios pais, pelo que continuamente, e ano após ano, a Escola tem recebido mais convites de participação».
«Objetiva-se através da brincadeira e dramatização normalizar emoções como o medo e a ansiedade relativamente aos cuidados de saúde, procedimentos e profissionais. Para os estudantes de Enfermagem, é uma atividade muito significativa no treino da comunicação, relação interpessoal e também técnico», salienta, também, Ana Filipa Sousa.
Até ao momento, e com um interregno em 2021 e 2022 (período pandémico da COVID-19), o "Hospital dos Superpoderes" chegou a um total de 1 410 crianças entre os 3 e os 8 anos de idade.
Qualquer instituição destes níveis de ensino, pública ou privada, pode beneficiar da atividade, devendo para tal submeter pedido, via e-mail, à Direção da ESEUC.
[2026-02-09]



