Uma grande maioria dos estudantes do 4º ano da licenciatura da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) assistiu, entre os dias 24 e 25 de março, ao espetáculo documental “O meu país é o que o mar não quer” – uma criação do ator e encenador Ricardo Correia –, seguido (no dia 27) de um debate sobre a problemática da nova vaga de emigração qualificada.
Esta foi, de resto, a primeira vez que uma instituição de ensino superior (a ESEnfC) acolheu este espetáculo teatral, trazido pela Casa da Esquina – Associação Cultural e que foi construído a partir do relato pessoal que Ricardo Correia fez sobre os testemunhos de emigrantes portugueses qualificados que recolheu, em Londres (enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian), através de entrevistas, cartas, fotos e e-mails.
A organização desta iniciativa na ESEnfC foi da responsabilidade do Serviço de Apoio aos Novos Graduados e visou proporcionar aos finalistas de Enfermagem um momento de reflexão sobre a hipótese de emigrarem, «sem querer empurrá-los para sair», mostrando até as «consequências menos positivas» da partida e «as dificuldades relacionadas com a saudade, as distâncias e a integração», explica a professora Cândida Loureiro, que coordena aquela estrutura.
O testemunho de quem emigrou e já regressou (Vânia Rocha, enfermeira diplomada pela ESEnfC), as oportunidades de valorização da formação, os constrangimentos relacionados com os custos do alojamento e do nível de vida, ou o desconhecimento da linguagem técnica, foram algumas questões abordadas na discussão.
Também os discursos mediático, político, das associações profissionais e das empresas de recrutamento foram analisados (pela socióloga Joana Sousa Ribeiro).



